wA Biblioteca da Professora Maluquinha
Aqui estão, ordenados por ordem de chegada, os livros que passaram pela nossa estante. Não sei qual a utilidade, mas fica sendo minha - ou nossa, à essas alturas - biblioteca virtual...


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wQuarta-feira, Outubro 05, 2005


As Crônicas de Nárnia




Crônicas de Nárnia, escrita por C.S.Lewis entre 1949 e 1956 narra a história de Nárnia, uma terra onde animais falantes, faunos, unicórnios, centauros, gigantes e todo o tipo de seres encantados vivem em harmonia, desde sua interessante criação.

O primeiro livro parece uma introdução às aventuras todas, e apenas no segundo é que tudo começa a acontecer mais intensamente. Nárnia é uma terra criada por Aslam, um Leão falante, forte, digno e poderoso como um deus. Aliás, a terra por ele criada passa pelas mesmas etapas e por uma história bem semelhante à criação do mundo narrada na Bíblia. Também durante os outros livros, percebemos a relação entre as Crônicas e a Bíblia, e penso que Nárnia se assemelha à Terra Prometida! As batalhas travadas no reino de Nárnia podem nos remeter às batalhas pelas quais passamos durante a vida...
As aventuras de Pedro, Edmundo, Suzana e Lúcia, crianças inglesas quase tão comuns qto qualquer outra, são contadas por um narrador que parece estar sempre bem próximo de nós, sentado em uma poltrona ao lado da lareira, rodeado por ouvintes atentos. Ele possui uma forma carinhosa e toda pessoal de contar histórias, e tal é seu entusiasmo q chegamos a acreditar ter ele mesmo vivido anos e anos em Nárnia. E pq não?!

Vejo a cena: primeiro crianças sentadas à volta dele, depois os adolescentes vão chegando meio sem jeito e se encostando aqui e ali, até q o adultos se aproximam, impressionados com o desenrolar da história, acomodando-se onde e como podem. Todos permanecem silenciosos e atentos. Ansiosos pelo fim, tristes pela iminente despedida... É bem assim q vejo as Crônicas. Alguma coisa em Nárnia me lembra Winnetou (q já esteve aqui no Cantinho), talvez as descrições de combate, o planejamento de estratégias ou a amizade entre personagens tão diferentes entre si... Ou aquele gostinho de história boa, mesmo!

À princípio, algum desavisado pode pensar q "não passa" de literatura infantil, sem lembrar q a melhor literatura é aquela q não se dirige à A ou B, mas pode ser aproveitada por todos. É exatamente isso q acontece nesta série.

Fica aqui o meu convite: não deixem de conhecer Nárnia, onde era sempre inverno, mas o Natal nunca chegava. Até que chegou... Lembre-se apenas de não fechar a porta, qualquer pessoa sabe que é uma grande tolice fechar-se dentro de um guarda-roupa.

Boa Leitura!



posted by Professora Maluquinha at 12:04 AM

Já leu?!
wQuarta-feira, Agosto 24, 2005


Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento




Não conheço toda a obra de Marina Colasanti, só sei que é bastante extensa e diversificada. Escreve crônicas, contos, romances, histórias infantis e acho q já vi poemas dela. Também é tradutora, e costuma ilustrar suas obras. (Quero ser igualzinha a ela qd crescer!) - uma autora que me impressiona, pela leveza e doçura com que fala do ser humano, de seus medos e sonhos e inquietações.

Como a própria autora diz, os contos reunidos em Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento são Contos de Fadas. O livro é formado por 13 histórias cujo imaginário mágico nos remete realmente, aos contos que ouvimos na infância: entre reis, princesas, cavalos alados, leões e unicórnios de sonho, reinos encantados e sereias, o leitor é conduzido suavemente à questões bastante atuais - uma vez que estão diretamente ligadas à alma humana. O que os torna bastante diferentes dos Contos de Fada aos quais estamos acostumados, é que as conclusões dos contos de Marina são sempre surpreendentes e muitas vezes, tristes...

Não sei se triste é a palavra certa. Talvez o sentimento que suas palavras tragam à tona, sim, possa ser triste. Ou felizes, dependendo do leitor... É certamente, uma descoberta agradável e, penso, uma interessante viagem por nosso próprio interior...

O conto através do qual conheci Marina Colasanti chama-se ,"A Moça Tecelã", e é um dos mais conhecidos dela.
Visitem Releituras , conheçam a autora e não deixem de ler a versão virtual e ilustrada de A Moça Tecelã.

Leu?!

Não disse que era bom?

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posted by Professora Maluquinha at 2:10 PM

Já leu?!
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Winnetou




Li Winnetou pela primeira vez mais ou menos 13 anos, e me apaixonei perdidamente. O primeiro volume conta as aventuras de Karl (Carlos, nesta tradução), um jovem alemão que vai tentar a vida nos Estados Unidos. Através de personagens sólidos, profundos e aventuras instigantes, Karl May nos conta o início da colonização dos Estados Unidos. Winnetou é um jovem guerreiro, cacique da tribo dos Apaches. Entre Karl e Winnetou nasce uma inesperada e emocionante amizade, que durará por toda a série. E pela vida dos dois.

E pelas nossas...

Dentre todos os riquíssimos personagens encontrados na obra de May, Winnetou se destaca por sua nobreza de alma, sua sabedoria e inteligência; um cavaleiro medieval em trajes indígenas nas estepes americanas! Karl May nos conquista fácil, fácil, com seu estilo leve e divertido, pelo realismo do que conta, a naturalidade com que emociona. Pelas descrições perfeitas de lugares, de tipos humanos, de aventuras que, naquele contexto, bem poderiam ser realidade.

Na verdade, Karl May não narra apenas as aventuras de um índio e um homem no antigo Oeste americano. Ele filosofa sobre as relações humanas, ele trabalha a possibilidade do diálogo entre os povos, e finalmente descreve com riqueza de detalhes e criatividade, a vida, os costumes e tradições dos povos visitados.

Escrito em 1909, a mensagem de Winnetou e de toda a obra de Karl May está e estará sempre muito atual. Um livro grande, uma aventura intensa, mas vale à pena o esforço e tempo despendidos. Oh, se vale! Para mim, é uma aventura de vida inteira.

A coleção não é mais editada no Brasil, mas pode ser encontrada, com facilidade em sebos. Pelo amor de Deus, não caiam nas péssimas traduções resumidas (estragam completamente, cortam toda a filosofia do autor, empobrecem o romance. Eca!), uma da Ediouro, outra da Abril. Procurem essa edição aí da foto, da Editora Globo Porto Alegre.

Com certeza, não se arrependerão da empreitada!

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posted by Professora Maluquinha at 12:21 PM

Já leu?!
wTerça-feira, Agosto 23, 2005


Preparativos de Viagem






Esta semana trouxe para a gente um livrinho delicioso! É uma antologia preparada por Mário Quintana, autor que dispensa apresentações. Uma poesia leve, sutil, muitas vezes irônica, outras vezes triste. Sempre lindas!

Não posso dizer que conheço muita coisa dele, mas comprei Preparativos de Viagem na bienal, já gostando do livro. Não estou lendo seguidamente, de vez em quando abro-o em uma página qualquer, e leio a poesia que me escolheu. Comprei dois, mas gosto desse por ser bem diferente: numa página, vem a poesia como rascunhada pelo autor, cópia do manuscrito. Do outro vem a mesma poesia, com letra de imprensa comum.

Muito lindo, tenho a sensação de estar mais próxima do poeta... Eu e minhas loucuras!

Nele, encontramos poemas e quadrinhas, uns de página inteira, alguns de uma linha só (e que valem capítulos!). Vejam aí:


"O Luar

O luar é a luz do sol que está sonhando."

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"A Recordação

A recordação é uma cadeira de balanço embalando sozinha."

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"Coração

Coração que bate-bate, Antes deixes de bater! Só num relógio é que as horas Vão passando sem sofrer..."


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Há alguns outros bem maiores dos quais gosto muito, mas não vou transcrever aqui não... Aproveitem a dica e leiam também, crianças!

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posted by Professora Maluquinha at 3:03 PM

Já leu?!
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Morte em Veneza





Abro a seção apresentando o último livro que li: Morte em Veneza, do escritor alemão Thomas Mann. Pra mim, foi uma experiência nova em literatura. Quase não há ação, a história se passa calmamente diante de nós, como uma gôndola balançado pelos sinuosos canais de Veneza.

Ainda que muito lenta, nos encanta e satisfaz.

O mais interessante são as reflexões de Gustav Aschenbach, o narrador. O enredo é simples: Aschenbach, escritor altamente conceituado, de férias em Veneza, interessa-se estranhamente por um menino polonês. À partir disso, ele passa a buscar a criança, sempre e cada vez mais ardentemente, tecendo meditações profundas sobre a arte, a literatura, o belo, a vida... Dos muitos trechos que destaquei, transcrevo um:

"Amava o mar por razões profundas: pela necessidade de repouso do artista exausto que, assediado pela multiformidade das aparências, anseia por abrigar-se no seio da simplicidade, da imensidão; e por um pendor proibido, diametralmente oposto à sua tarefa e por isso mesmo tentador, para o indiviso, o desmedido, o eterno, para o nada. Repousar na perfeição é o anseio nostálgico daquele que se esforça por alcançar a excelência; e o nada não é uma forma de perfeição?"

Espero que aproveitem a leitura como eu aproveitei!


posted by Professora Maluquinha at 2:23 PM

Já leu?!
wE por detrás da estante...

Nenhum aluno esperava que, empurrando o último e mais empoeirado livro da estante, realmente fosse possível acionar a entrada de uma passagem secreta. Quando um dos alunos, ainda duvidando das afirmações do esqueleto (q jurava já ter, ele mesmo, passado pela porta secreta), ultrapassou o buraco entapetado O que viu do outro lado da sala, deixou-o maravilhado: era a biblioteca da professora Maluquinha!!! E como se não bastassem os livros, espalhados à vontade -como se estivessem, mesmo, em casa- pelo salão, ainda haviam os quadros. Naquela sala, a professora reunia sua própria pinacoteca. O aluno, entusiasmado com a descoberta, sentou-se sobre um dos tapetes felpudos e iniciou o primeiro livro q encontrou...